Eu era novo convertido quando, em uma única noite, sonhei três vezes o mesmo sonho. Via Jesus no portão da minha casa. Ele estava vestido de branco, com os cabelos na altura dos ombros e barba. Batia palmas, como quem me chamava, e eu saía para vê-Lo. Então Ele levantava o braço e apontava para o alto.
Quando eu seguia a direção do Seu gesto, via uma casa sobre um barranco. E era ali que aparecia, no sonho, a mesma mulher da minha igreja, conhecida entre nós como profetiza. Ela surgia fumando um charuto, e aquela imagem me causava estranheza profunda. Em seguida, eu entrava no carro para seguir caminho, provavelmente em direção à igreja, mas de repente o carro caía de frente dentro de um buraco, e eu despertava assustado. Tornava a dormir, e tudo acontecia de novo. A mesma cena. O mesmo aviso. Três vezes na mesma noite.

No dia seguinte, contei o sonho. Pouco depois, aquela mesma mulher que eu vira no sonho subiu ao púlpito e entregou uma palavra dura. Sem citar meu nome, profetizou que um irmão desceria à sepultura e não tornaria a subir. Mais tarde, outro irmão me procurou para dizer que aquela palavra era para mim. Além disso, foi dado um prazo, como se a minha morte já estivesse determinada.
Aquilo caiu sobre mim como uma sentença. Eu era ainda recém-nascido na fé, cheio de temor, cheio de sinceridade, buscando a Deus com simplicidade. Já tinha vivido experiências marcantes com o Senhor e não tinha estrutura para suportar uma palavra tão pesada. Meu coração se abateu profundamente. Durante meses, quase não consegui dormir em paz. O medo me acompanhava. A angústia me consumia. E, ferido por tudo aquilo, acabei saindo daquela igreja.
Com o passar do tempo, aquele grupo se dividiu. O grupo ligado àquela mulher chegou a abrir uma igreja, mas não permaneceu de pé por muito tempo. A obra não prosperou e logo se encerrou. Depois disso, nunca mais a vi. Já o outro grupo permaneceu, e meses mais tarde — talvez depois de quase um ano — eu voltei justamente para o lugar onde havia me convertido.
Em meio a toda aquela dor, algo foi ficando claro dentro de mim: aquele sonho não tinha sido comum. Não era imaginação solta nem fruto de uma noite qualquer. Havia um aviso ali. O Senhor estava me mostrando alguma coisa. E, embora eu não compreendesse tudo de imediato, fui levado a buscar mais a Deus. O temor me empurrou para mais perto do Senhor. Busquei resposta. Busquei consolo. Busquei direção. E, acima de tudo, fui guardado por Ele.
Hoje estou vivo, para honra e glória de Jesus.
Esse testemunho me ensinou algo que nunca mais esqueci: nem toda palavra dita em nome de Deus vem, de fato, de Deus. Há pessoas que falam movidas por si mesmas, por julgamento precipitado, por vaidade espiritual ou por falta de temor. Mas Deus não mente, não confunde e não envergonha os Seus filhos da maneira como muitos homens envergonham. O Senhor fala na hora certa, do jeito certo, com verdade e justiça. Ele não olha como o homem olha. Ele é Deus.
Também aprendi que, quando o Senhor insiste em mostrar algo, é porque deseja alertar, guardar ou despertar. Naquela noite, Jesus não apenas bateu no portão da minha casa. Ele bateu no meu coração. E, mesmo em meio ao medo, fui sendo conduzido a compreender que a minha vida não estava nas mãos de uma palavra humana, mas nas mãos dAquele que reina sobre todas as coisas.
Se hoje Jesus bate à sua porta, não endureça o coração. Abra. Dê ouvidos à Sua voz. Não permita que palavras de homens definam seu destino, quando Deus já declarou que a última palavra pertence a Ele. Toda honra e toda glória sejam dadas a Jesus.
