Tenho certeza: o prazer de um pai é ver o filho bem — um homem honesto, decente, cumpridor dos seus deveres; alguém que cuida da família e corre pelo certo. Esse é o maior orgulho de todo pai.
Eu sou pai. E, como todo pai, carrego o impulso de ensinar o que sei. É o que posso oferecer: o ofício das minhas mãos, as lições que a vida me deu, o pouco e o muito que aprendi. Se meu filho seguirá o meu caminho ou abrirá o próprio, a vida mostrará. Mas o meu desejo permanece: que ele seja um homem de bem e que nós possamos caminhar próximos, coração com coração.

Quando medito em Salomão, uma pergunta me atravessa: haverá um filho que, ainda jovem, ore assim — ‘Senhor, dá-me sabedoria para seguir os passos do meu pai’? Dói admitir que, às vezes, esse olhar se perde. Há moços que não mantêm, não cuidam, não pedem sabedoria para honrar o legado recebido. E há pais que, em silêncio, guardam essa oração por eles.
Chega um momento em que a gente olha para trás e sussurra: ‘Puxa vida, será que eu dei orgulho para o meu pai?’. Salomão, ao olhar sua história, talvez tenha pensado: ‘Meu pai não viu aonde cheguei, mas ele teria orgulho’. E eu me vejo nessa cena. Porque um pai verdadeiro é capaz de dizer: ‘Meu filho não foi o que eu imaginava para ele, mas eu tenho orgulho’. O título importa menos; importa o caráter. Importa ver o filho firme no que é certo, fiel no que prometeu, atento ao que realmente conta.
Eu sei que o ser humano é egoísta por natureza. Mas, na paternidade, algo se inverte: o coração normal de um pai deseja que o filho vá mais longe do que ele foi. Que supere os limites que o detiveram. Que a descendência seja forte, que o legado seja honrado — não pela glória do pai, mas para que a história da família avance na direção do bem.
Diante de Deus, encontro a resposta que me sustenta: o maior orgulho do Pai é ver filhos que escolhem o caminho certo, que pedem sabedoria, que vivem com honestidade e amor. A graça de Cristo cura o nosso egoísmo, reconcilia-nos com o Pai e nos capacita a cuidar da casa, a cumprir o dever e a praticar justiça com misericórdia. Se eu falho, há perdão. Se eu acerto, é porque Ele me sustentou.
Hoje, como pai e como filho, faço uma oração simples: ‘Senhor, dá-me sabedoria para cuidar, servir e correr pelo certo. Que os meus filhos vão além de mim, e que, indo mais longe, honrem o que receberam. Que a Tua alegria seja o maior orgulho da nossa casa’.
